terça-feira, 10 de julho de 2012

“CRÔNICA DE UMA MORTE ANUNCIADA”



por Flávio Aguiar

O irmão mais moço, Jaime, de GABRIEL GARCIA MARQUEZ (84 anos) confirma: o escritor ESTÁ PERDENDO A MEMÓRIA, e não consegue mais escrever. É uma perda imensurável, para a literatura e para o jornalismo. Garcia Marquez, que ganhou o prêmio Nobel, deixou sua marca indelével na cultura mundial com livros como “Cem anos de solidão”, de 1967, que teve excelente tradução para o português do Brasil, por Eliane Zagury, logo em seguida. 

Houve mais: “Ninguém escreve ao coronel”, “Memória de minhas putas tristes” (último romance), “O amor nos tempos do cólera”, “O outono do patriarca”, “Crônica de uma morte anunciada”, e muito ainda. Criador da cidade fantástica e imaginária Macondo (ele revelou certa vez que uma das suas fontes inspiradoras para a criação dessa cidade foi a também imaginária Santa Fé, de “O tempo e o vento”, de Erico Verissimo, a literatura de Garcia Marquez, além de ser de altíssima qualidade, ajudou gerações de latino-americanos que mergulhavam nas sombrias ditaduras dos anos 60 e 70 a reencontrarem alguma forma de esperança. E tão importante quanto sua literatura ficcional, foi seu empenho jornalístico, cobrindo a América Latina, os Estados Unidos, chegando até o Vietnã ainda fumegante da guerra com os Estados Unidos. Que Gabo, como é conhecido entre os amigos, permaneça em paz neste que parece ser o portal de seu último empenho pela vida.

Flávio Aguiar é correspondente internacional da Carta Maior em Berlim.

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